Blog do Santinha

Crônicas, opiniões, desabafos e comemorações sobre o Santa Cruz Futebol Clube, o Santinha, e a torcida coral.

Lembranças alcoólicas, afetivas e bloguísticas (série comemorativa dos 3 anos do blog)

Inácio e Samarone

Inácio e Samarone na arquibancada, em 95

Por Samarone Lima, do Blog do Santinha

Conheço Inácio França desde tempos remotos. Para não ir muito longe, assisti a decisão da Copa de 1994 em seu apartamento, em São Paulo. Comecei a mamar latinhas de cerveja às 10h da manhã, enquanto ele fazia churrasco na cobertura, e quando deram por mim, eu já tinha bebido por todos. Resultado: na hora do jogo, eu não sabia onde estava a televisão, e não sofri com a cobrança dos pênaltis, porque não sabia o que era a trave, nem o que aquele sujeito fazia usando luvas para defender as bolas. Por via das dúvidas, escutei fogos e julguei que o Brasil tinha sido tetra.

A cena que se seguiu foi melancólica e nem deveria ser citada. Peguei o carrinho do filho de Inácio, Pedro (que deveria ter um ano, hoje está com quase 15), e saí correndo pelo apartamento, cantando o “tam tam tam”, dizendo que era o “título do Sena”. Os vizinhos perguntaram ao Inácio quem era aquele louco.

A minha curva Tamburelo foi um espelho da sala do Inácio, que virou pó. Não me lembro como ficou o carrinho de Pedro, que, por prudência de Inácio, estava protegido em seu quarto. Eu ainda queria ir para a Avenida Paulista, dormir em alguma calçada, por certo.

Acordei no outro dia perguntando quem tinha ganho a decisão e onde poderia engolir 12 Engov de uma vez (não sei como se escreve Engov no plural).

Uma vez, já perto de voltar de São Paulo, Inácio ficou na minha casa, um apartamento caótico, na Santa Cecília. Depois de dois dias, três estantes com dezenas de livros caíram, Inácio agradeceu a acolhida, temeu pela saúde física e psicológica do filho e deu no pé. Ele, que é muito sabido, voltou para Pernambuco e fiquei lá, passando um frio da miséria. Em São Paulo, descobri que pé de nordestino nunca esquenta.

Nos reencontramos em 2.000, no Recife, quando voltei. Sempre que nos encontramos, trocamos idéias, idealizamos algum projeto que vai nos dar sustentabilidade para ler durante muitas horas, pagar as contas, escrever sem ninguém aporrinhando, pedindo relatório ou matéria. Em nossos projetos, teremos dinheiro sobrando para assistir todos os jogos do Santa Cruz, em qualquer lugar do globo terrestre, seja de ônibus, avião, ou pela Sky. Temos uns 10 projetos catalogados e  sacramentados, inclusive um site para compra e venda de jogadores, que se tivesse sido implementado, já teria nos tornado os dois mais novos milionários do Brasil e estaríamos ricos, preparando nossa candidatura para o biênio 2009-2010, à frente da diretoria do Mais Querido. Stênio, claro, seria o preparador fígado.

Um belo dia, almoçando ali na Casa do Estudante, antes de meu amigo começar a sentir azias fenomenais, decidimos criar um blog sobre o Santa Cruz, para falar, reclamar, palpitar, espantar mazelas, perturbar quem afundava nosso clube. Surgia o Blog do Santinha.

Como trabalhávamos no mesmo projeto, a parte inicial da manhã era destinada à atualização do Blog. Telefonemas, contatos, fotos, textos. Depois, a gente fazia o que o patrão pedia. Lógica universal: Primeiro o Santinha, depois o trabalho. Não sei quanto tempo ficamos nisso, mas comecei a perceber algo estranho. Durante um jogo, não me perguntem qual, um torcedor muito antigo, que certamente era uma criança, quando Ramon ainda jogava, se virou para mim, muito solene, e disse:

“Você tem que escrever sobre isso”.

Naquele instante, descobri que o Blog do Santinha era, disparado, nosso melhor projeto. Não estamos falando de dinheiro, claro. Precisamos ler “O Monge e o Executivo Liso”, ou “Pai pobre, filho catador de papelão”.

Um dia, começamos a conversar sobre o destino:

“Velho, vamos cansar”.

Foi a senha. Neste momento, começou a surgir a nova geração do Blog, apesar de não serem mais tão moços assim: Anízio, Dimas. Mudança no formato, novas possibilidades. Textos esporádicos foram chegando, contribuições importantes. Sangue novo, outros olhares. Gerrá da Zabumba, Coronel Peçonha, enfim.

Então começou a nova aventura do Blog do Santinha. Não ter dono. Nada mais que um espaço da torcida do Santa Cruz. Metáfora de como deve ser o nosso clube - um patrimônio do povo pernambucano, brasileiro, sem dono, sem propriedade, sem coronéis, sem cartéis. Nos coube somente a idéia, o começo. Chutamos a bola, e o time foi se formando naturalmente. O Blog sempre foi e será da torcida do Santinha.

Outro dia, acessei este espaço e vi um texto de Pedro França, filho de Inácio.

Me deu vontade de ter um filho, só para ver um texto dele publicado no Blog do Santinha.

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Visite a Paraíba, antes que a PM acabe com o turismo de lá

Caravana Coral a Campina Grande 2.0

Chiló e Dani na arquibancada do Amigão

Por Chiló, sanfoneiro da Sanfona Coral(?) e psicólogo

Meu último passeio turístico à Paraíba foi assim:

Data: 06/08/2008

Ponto turístico: Estádio Ernany Sátiro - AMIGÃO (Campina Grande)

Guia: Danielle Leal

Turistas: 27 torcedores do Santa Cruz Futebol Clube

Ônibus: micro da empresa World (Recife - PE)

Comitê de recepção: Polícia Militar da Paraíba

Hora: 18h20

Local: Juripiranga - PB

Chefe do cerimonial: Capitão Adielson

Porta-voz do cerimonial: uma comandada do Capitão Adielson que teve sua identificação negada duas vezes pelo mesmo.

Souvenir: empurrão contra o ônibus, puxão de cabelo e chutes nas pernas de nossa guia para suposta revista.

Configurada a cena da inesquecível boas-vindas, teço alguns questionamentos:

O que está havendo com as instituições do nosso país?

Pessoas de bem não podem mais fazer um passeio a um estado vizinho pra assistir ao jogo do clube de coração, sem serem constrangidas e agredidas por quem justamente deveria nos proteger?

É necessário realmente obrigar uma guia e seus turistas a colocarem as mãos no ônibus, como se marginais fossem, para serem revistados?

Sinceramente, acredito que não.

O que está havendo é realmente uma inversão de valores. O Poder Público, a Polícia e quem de direito, diante da incapacidade, ou seria incompetência, de conter a violência imposta por grupos de marginais infiltrados dentro de torcidas organizadas, desfocam sua incapacidade e iniciam uma cultura do cerceamento ao cidadão de bem.

Essa lógica se reflete com o absurdo que é a privação de não se poder consumir bebidas alcoólicas nos estádios de futebol. Logo-logo, seremos privados de freqüentar os estádios com a camisa de nosso clube querido e, em breve, colocar um adesivo desse mesmo clube em nosso próprio carro, com o argumento de contenção da violência.

A violência nos estádios precisa ser banida. Bandido precisa ser preso. E o cidadão tem o direito de ir e vir, como reza nossa constituição de 1988.

Exmo. Sr. Comandante da Polícia Militar da Paraíba, promova um fórum nos batalhões de polícia de seu estado e mostre com dados que o turismo é uma das mais importantes fontes de receita que um país pode ter. E ensine seus comandados a prender bandidos e a saber lidar com cidadãos.

Continuo invocado!

Saudações Tricolores!

* * * * * * * * * * *

Quem é o "poderoso" que está atrapalhando as transmissões dos jogos do Santa pela TVU?

  • Deus (1%, 2 Votos)
  • Homero Lamerda & Luciano Bichar (2%, 8 Votos)
  • Edinho (8%, 31 Votos)
  • Rede Globo Nordeste (81%, 312 Votos)
  • Rede Bandeirantes (0%, 1 Votos)
  • Rede Record (0%, 0 Votos)
  • TRE (0%, 1 Votos)
  • Daniel Dantas (3%, 12 Votos)
  • Isso é teoria da conspiração (5%, 19 Votos)

Total de Votos: 386

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Não são apenas três anos!!! (série comemorativa dos 3 anos do blog)

Por Coronel Peçonha

O Blog do Santinha fazendo três anos de idade, nem parece! Tenho a impressão que já acessava o Blog desde quando EU tinha três anos de idade, pois não acredito que tenha passado toda a minha infância, adolescência e até 2005 sem entrar no Blog do Santinha.

Todo esse tempo ser ler maravilhosos artigos, personagens inimagináveis, situações delirantes e emocionantes? Não isso não aconteceu, como vivi sem ler as opiniões de otimistas, pessimistas, bêbado (o sumido), delirantes, propositivos, divagadores, pesquisadores, nervosos, tranquilos, lunáticos, historiadores, experientes, incautos, sucintos, prolixos, enfim, uma legião de gente de primeiríssima categoria que me faz falta não “falar” com ela todo dia?

Não, certamente não foi isso que ocorreu, tanto é verdade que ainda me lembro Ramon fazendo seus muitos gols, sendo Bola de Ouro da Revista Placar e dedicando esse seu prêmio “a todos que fazem e acessam o Blog do Santinha”. E quem não se lembra quando Givanildo, convocado para jogar pela Seleção Brasileira, agradeceu ao empenho e à contribuição dada pelo Blog? Digo mais: Fumanchu declarando recentemente que jogava com muito mais disposição pelo Santa Cruz quando lia elogios no Blog? Hein?

Quem por acaso esqueceu aquele momento histórico já em 2002, quando Rivaldo, na recepção festiva após a Copa Mundial de Futebol no Palácio do Planalto levantando uma camisa do Blog? Lindo, lindo momento. Se bem que o mais emocionante para mim foi aquele em que Birigui, o São Birigui, fechando o gol lá dentro da ilha da fantasia e garantindo mais um título do nosso Santa dentro da Casa de Festejos, bradou aos quatros cantos que “ser do Santa Cruz e ser do Blog do Santinha são motivos de muita felicidade”.

E não relembro de mais fatos porque a memória sempre me foi falha para esse tipo de recordação. Ah, por exemplo, em 1993, quando Célio disse que só chutou direto porque tinha se arretado com um comentário negativo dentro do Blog do Santinha, ou em 1998, que o zagueiro Rao disse que tinha adorado o texto postado em sua homenagem no Blog, enfim, tantas e tantas emoções que fica até impossível citá-las por completo.

Claro, não podemos deixar de lado o ano de 2005, com o Santa Cruz saindo da fila após nove anos, com a nossa volta à Primeira Divisão de maneira brilhante e o injusto não recebimento do título de campeão. Que sonho vivemos, quanta esperança, que carreata maravilhosa fizemos naquele domingo. Pernambuco sorri muito mais bonito quando o Santa Cruz está alegre. Juro, foi tanta felicidade que seria possível até imaginar dois loucos que mal sabem mexer em computador, ambos que têm ojeriza a celulares e automóveis, criando um lugar virtual para que outros loucos, igualmente loucos pelo Santa Cruz, pudessem se reunir e discutir a grande paixão em comum. Somente naquela alegria contagiante que foi o Santa Cruz em 2005 para possibilitar um desvario impossível desses.

Mais ainda: como entender que diante da sucessão de desastres e humilhações por que passamos a partir de 2006, fazendo aflorar de maneira inaceitável e surpreendente os 20 ou 30 anos de erros nas administrações, que essa idéia louca e despretensiosa tenha continuado com força? Digo com acerto: com força aumentada a cada dia?

Alguém explica? Nem precisa, basta ver que o Blog do Santinha é uma maneira de externar o amor pelo Santa Cruz, e com esse amor crescendo cada vez fica fácil entender tamanha “loucura”.

O Santa Cruz é minha pátria.

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